Nos últimos tempos os caminhos foram livres. Passei por um vilarejo, e chovia. Suas ruas eram de pedra sabão, o que me fazia andar torto e quase cair as vezes. Não haviam calçadas, muito menos bancos ou praças para que eu pudesse descansar, somente ruas. E meus pés, descalços, doíam. 

Passando por ele, várias pessoas começaram a me acompanhar em meu trajeto. Algumas porque estavam traçando o mesmo caminho no mesmo momento, outras porque viram um andarilho caminhando naquelas ruas estreitas em que muito tempo não passava ninguém e resolveram conversar um pouco. 

Mas elas se dissipavam. Não eram companhias duradouras. Mas foi bom, desde que passara pela última bifurcação eu precisava de alguém pra conversar, desabafar ou simplesmente me perguntar se estava bem. O silêncio do caminho desde então havia me deixado triste, sozinho. Nem a natureza, que muitas vezes abrilhantou-o com seus sons inconstantes e longínquos, suficientemente belos para que um sorriso de canto de boca aparecesse nessa corpo suado e cansado de andar, ressoou.

Ao final do vilarejo, uma pessoa apareceu. Como sempre ando olhando para frente, não sei qual o caminho que ela traçava, mas ali ela estava, ao meu lado, me fazendo companhia. E esta foi diferente. As conversas fluíam, os assuntos apareciam, os detalhes transpareciam e isso tudo me fazia bem.

As pedras escorregadias não mais me tiravam do rumo, pois eu nem me lembrava que estava pisando em algo sólido, e ao andar eu comecei a olhar pro lado, simplesmente para admirar o sorriso dela.

E foi assim, o vilarejo ficou para trás, retornamos à estrada, mas mais uma bifurcação apareceu.

Estou parado, já sei pra onde vou, mas meu passo só será dado após o dela.

 

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