Faz bem mais sentido ouvindo isto:

Sei que aqui não é lugar para isso. Talvez sim, mas não para textos tão diretos e tão claros assim. Mas é o único lugar que confio para desabafar. Então…

Foi tão bonito desde o começo. Nossas conversas despretenciosas, que com o tempo acabaram cheias de gafes e declarações. Nossos pensamentos cruzados, nossas tentativas de não falar no assunto, mas sempre ele aparecia… E então nos conhecemos. Causei uma péssima primeira impressão, como é de praxe. Depois fomos a uma festa, que acabou um pouco mais cedo pra ela (#fail). Depois uma conversa, um ciúminho, uma noite, um colchão na sala, e tudo começou. But this time, for real. Já me divertia pensando em como seria, ou como não seria. Mas nenhuma dos possíveis jeitos foi o que aconteceu. E foi bom. E então começamos a nos conhecer melhor a cada dia, a cada conversa, a cada sorriso, a cada carinho…

I used to dream. I used to glance beyond the stars…

Mas acabou. Hoje faz um mês.

E o que sobrou disso tudo foram as saudades. A saudade do seu carinho, do seu jeito de falar meu nome, das suas ligações, dos nossos almoços, do seu jeito desastrado de cozinhar, do copo do sítio do picapau amarelo, do colchão, do seu frio excessivo, do seu cabelo de manhã, de ajudar a levar tua mala até a rodoviária, de nossas conversas, do fondue, do seu beijo no pescoço que me deixou um roxinho e você ficou desesperada, do seu brigadeiro, das suas colegas, das vezes que enchia sua república de desconhecidos, do seu cheiro…

E a todo momento uma saudade revive para torturar-me. Uma lembrança, uma sensação, uma leitura, uma vista, uma saudade…

Talvez já basta desses pensamentos, chega desse choro, dessas reclamações, das recordações.

Sou utópico, e sei disso. E gosto de ser. Mas tenho que colocar os pés agora na realidade, e continuar a viver.

Não mentirei falando que está tudo bem, que é fácil, que só sobrou as recordações… Sobrou um pouco de decepção, e talvez disso que eu não goste nisso tudo.

Eu tenho o sol em minhas mãos. Vou plantá-lo agora.

Ainda me sinto sozinho, ainda sinto falta do seu abraço, da sua mordida, do seu carinho. E falo por mim: não é justo. Nada justo comigo mesmo. Mas o que resta é seguir.

Hoje é um novo dia. Só basta que eu queira mudar…

Eu ainda gosto dela, mas não me sobrou nada além do vento que abracei, desse sentimento verdadeiro e algumas lembranças que teimam em chantagear minhas ações…

Já que se foi, leve um sorriso meu. Mesmo que forçado.

Saiba que se um anjo encontrar, vou pedir pra ele te proteger.

Melhor agora eu começar a caminhar, a olhar pra frente… Melhor começar a plantar algo hoje.

que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido tudo.

Eu ainda quero um abraço.

Bernardo Mendes

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