Cheguei, olhei o quarto e ví que minha cama não estava lá. Muito menos o travesseiro, para eu colocar minha cabeça embaixo e chorar. Na geladeira, meu copo de leite da roça não estava lá. Olhei a janela e percebí que o que via não era a montanha, muito menos o Cristo de braços abertos como se abraçasse a cidade. Andei, e percebí que o nome das ruas me era estranho. De todas elas…

Olhei pra cima, o céu estava cinza. As pessoas na rua não me comprimentam… passam andando, simplesmente.  Meu rosto avermelhado do choro, não faz diferença. Ninguém pergunta o que aconteceu, nem muito menos repara e faz uma cara de dó. Tudo que eu queria era um abraço, e só.

E eu, aqui, sinto falta. Sinto falta da minha cama, do meu travesseiro, do copo de leite, da janela, do Cristo, das ruas, do céu, das pessoas.

Mas me contento. Tenho um céu cinza, tenho um leite de caixinha, tenho um colchão no canto dum quarto desarrumado. Tenho uma janela, com visão para um mundo de concreto. Tenho as ruas para andar, mesmo que me perca. Tenho pessoas.

Tenho pessoas. Mas o que adianta se ter o plural quando só se quer o singular. Uma pessoa. E só.

Tudo que queria agora era um abraço.

só.

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