Jogo todas as cartas, aposto todas minhas fichas. Hoje, sou tudo que eu rejeitava.
Penso comigo mesmo, será que não existem vilões dessa vez? Ou todos somos vilões? Só a sombra sabe o mal que se esconde atrás dos corações humanos. É cruel, muito cruel, dizer verdades na cara de alguém, de qualquer um. E é igualmente cruel isolar alguém, eleger como um leproso em tempos remotos. Não gosto, como qualquer um, de ver escorrer o sangue dos inocentes, mas afinal, quem é inocente?
A dramaturgia usa do reducionismo para tornar as histórias mais claras. Reduz um sujeito a vilão, um outro a mocinha, e assim a gente entende melhor as histórias. Só que nessa dramaturgia da vida real, inventada e reinventada a cada dia, a propósito, por mim mesmo, muitas vezes me auto-reduzo a clichês: mocinho, bandido, do bem, do mal.
Sou mais complexo que um personagem. Sou indivíduo, com toda a complexidade que isso implica. Sou ladeado por incoerência, e também cheio dela. De contradições, de buracos negros, de supernovas.
Quem quiser, pode ver como sou. Só peço que não comece o julgamento sem antes conversar comigo.

Bernardo Mendes

Me inspirei em uma fala do Pedro Bial.

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