Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções catastróficas, com magnitude sísmica 7,0 na escala de magnitude de momento (7.3 na escala de Richter), atingiu o país a aproximadamente 22 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em seguida, foram sentidos na área múltiplos tremores com magnitude em torno de 5.9 graus. O palácio presidencial, várias escolas, hospitais e outras construções ficaram destruídos após o terremoto e estima-se que 80% das construções de Porto Príncipe foram destruídas ou seriamente danificadas. O número de mortos não é conhecido com precisão, embora diversas fontes afirmem que pode chegar até 200 mil óbitos, e o número de desabrigados pode chegar aos três milhões. Diversos países disponibilizaram recursos em dinheiro para amenizar o sofrimento do país mais pobre do continente americano. O presidente norte-americano Barack Obama, afirmou logo após a tragédia que o povo haitiano não seria esquecido, obrigando a comunidade internacional a refletir sobre a responsabilidade dos países que exploraram e abandonaram o Haiti.

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Primeiramente quero deixar meus pêsames à humanidade. Perdemos bons homens, famílias foram destroçadas, um país entrou em ruínas.

Mas o que tenho a dizer é mais forte. Talvez incômodo, talvez seja somente um ataque de insensatez. Mas quero falar, e sei que ninguém lerá, então…

Não sei se perceberam, mas o Haiti virou um palco para a exibição dos interesses e das quedas de braço do sistema internacional. O sistema está em colapso, estamos entrando em uma nova era. Como falou Flávio Sombra Saraiva, em um redesenho de hierarquias.

O Haiti está abandonado pelas grandes potências, que não se envergonharam de economizar esforços para diminuir a pobreza de um país decadente como aquele.

Vejo reportagens na TV falando que o povo de lá é feliz, que mesmo com a destruição o povo se ajuda, etc. Pura bobagem! O que vejo é um país maltratado, esquecido pela comodidade, engolido pela tristesa. O que vejo é descaso. O problema não é o terremoto. Está mais atrás, mais no passado. Um povo que sofre a séculos.

E é moda ajudar o Haiti. Se Brüno fosse gravado agora, em vez de comprar um bebê ‘naquele tal país cheio de afroamericanos, África’ compraria um Haitiano. O que não falta é superexploração da mídia lá. Garanto que não faltarão festivais em estádios e cordões de solidariedade romântica aos pobres haitianos.

E mais uma vez os EUA se mostram como a única saída. Inflacionaram o aeroporto combalido da capital do país e deixaram apenas espaço modesto para aeronaves deles mesmos, da Europa, do Canadá e do Brasil. Que bonito de se ver. Os chineses, com aqueles olhinhos puxados e aquela humilde ausência de músculos, mas carregados de vontade também queria entrar na guerra de braços, e não puderam… Na escola deles não ensina que o único capaz de salvar vidas são os Yankes? Que povinho bobo né?

Acompanhar a cobertura internacional é um show de standup comedy! O Haiti ocupa tanto espaço na mídia que quase não sobra tempo para o TotalShape, o Dr. Rey Products e o creme para calvície. Alarmante!

É como se no Haiti não houvesse passado, mas apenas terra arrasada… O silêncio das grandes potências em relação aos projetos brasileiros, apresentados anos atrás, de construção de infra-estruturas e autonomia energética no Haiti, é gritante.

Obama agora quer oferecer os famosos 100 milhões de dólares que o Brasil já havia solicitado para obras de infra-estrutura no país. Aqui no Brasil pouco se sabe sobre a obra de Zilda Arns no Haiti, nem que ministro brasileiro foi a primeira autoridade internacional a pisar o solo arrasado da ilha de Lost. A lógica é mostrar Obama, Sarkozy e outros líderes do Primeiro Mundo isolados, a domesticar a opinião pública e os interesses eleitorais.

O Haití está em ruínas, e aquele povo precisa da gente, e não podemos ajudar. Isso dói. Mas o fato de que a verdade é pouco vista, me dói mais.

Durmam com este barulho,

Bernardo Mendes

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