Dizia-se de Bernardo que podia convencer os outros de muitas coisas e a si mesmo de qualquer coisa. Em oposição, Bernardo podia persuadir os outros, mas era impotente com relação a si mesmo.

Bernardo tinha certeza de que Bernardo não era santo, mas Bernardo não tinha certeza que Bernardo não era o Diabo.

Bernardo, o doutrinário, orgulhava-se de ser oportunista; Já Bernardo, o oportunista, já não queria ser doutrinário.

Até que Bernardo raciocinava bem. Por outro lado, Bernardo, que acreditava raciocinar bem, só agia com a paixão.

Bernardo tentara levar a vida, seguir em frente. Mas Bernardo sempre o atrapalhara, lembrando-o das angústias e dos frios acenos.

Como se os dois não fossem a mesma pessoa…

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