Uma vez um velho me disse que o problema dos novos começos é que eles precisam de algo para acabar.

Não, eu não preciso de algo para terminar com isso. Não, eu não quero que acabe. Está apenas começando.

O começo foi tão sútil, que nem percebí e já estava dentro de um relacionamento. O que mais me fez estranhar foi o quão sólido este era.

Foram dias que pareciam anos. Vuados, firmes, de auto-afirmações. E que levaram a uma solidificação ainda maior, se é que permitia algo mais sólido.

O medo nos ronda. Todo dia, toda hora, em qualquer lugar. E as pedras também. Não que isto seja um empecilho no caminho, mas é. O medo nos distancia, enquanto nossos amores crescentes em proporções geométricas, nos aproxima.

Essas pg’s nos fazem vencer os medos. E só deixam as emoções, a adrenalina, a descoberta do que havia por trás do medo.

E é isso que me alimenta. Essa adrenalina, essas novidades, essa procura pelo novo, pelo desconhecido, pela diversão. Isso me faz lembrar que estou vivo. Que eu sinto.

No início eu tentava descrever meus sentimentos. Talvez maquiá-los para parecerem com algo que eu já conhecia. Mas eu desistí. Eles são totalmente novos para mim. Algo desconhecido, sutil, vorazmente cruéis. Eu não os entendo, mas eles me entendem.

E isso me deixa puto. Muito.

Eu, Bernardo Mendes, que sempre pensei ter as rédeas à mão, sempre tentando controlar tudo, me deparo com algo novo, sagaz, naturalmente indomável, e não tento domá-lo.

E isso me deixou puto novamente. Muito.

Essa saudade que esvazia meu peito me corroe por dentro. Me machuca. Me deixa carente, chato e, se é que me permitem o uso inequívoco do pleonasmo, inutilmente inutilizável.

Esse amor incontrolável me fez ficar com um pé atrás, talvez por causa das últimas bifurcações, talvez pelo meu despreparo em lidar com essa nova fase da vida.

Mas agora não mais. Meus pés caminham normalmente. Não mais me preoculpo com os buracos do caminho.

O mesmo velho me disse que nem todos os começos são para serem celebrados.

Esse é. Esse foi. Esse será.

Que seja eterno enquanto dure. E que dure enquanto for eterno.

Perdí o medo dos sentimentos. Perdí o medo de amar.

Já me diziam as pedras: havia um poeta em meu caminho.

Bernardo Mendes

[Dedico a Camila.

a razão da ausencia de bifurcações em meus caminhos.]

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